Alimentação do Futuro. Os desafios do presente.

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8,6 mil milhões em 2030. 9,8 mil milhões em 2050. 11,2 mil milhões em 2100 e um crescimento de quase 50% em relação ao presente. Estes são os números que expressam a evolução populacional, de acordo com as previsões da Organização das Nações Unidas no relatório “Perspetivas da População Mundial: A Revisão de 2017”. Mas, na verdade, são mais do que números. São desafios.

Desafios a vários níveis a pessoas e instituições – governos, empresas e entidades públicas e privadas – teremos de ser capazes de dar respostas. Não se tratam, no entanto, de desafios do futuro, mas do presente, em prol de um desenvolvimento equilibrado e sustentável.

Perfeitamente identificada na resolução da ONU “Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável”, a Alimentação é uma das mais importantes áreas para as quais urgem soluções. Isto porque é certo que a procura alimentar vai continuar a aumentar e, de acordo com a FAO, até 2050 a produção mundial de alimentos terá de crescer 60%, em resultado dos contextos e condições de produção e, até mesmo, os hábitos de consumo.

E que metas define a ONU para este ponto? Com a sustentabilidade e adaptabilidade como pano de fundo, destacamos aqui algumas: implementar práticas agrícolas resilientes que aumentem a produtividade; aumentar o investimento, inclusive através do reforço da cooperação internacional, nas infraestruturas rurais, investigação e extensão de serviços agrícolas; corrigir e prevenir as restrições ao comércio e distorções nos mercados agrícolas mundiais; adotar medidas para garantir o funcionamento adequado dos mercados de matérias-primas agrícolas e seus derivados; facilitar o acesso oportuno à informação sobre o mercado.

Estes são, em suma, objetivos que coincidem com as práticas desde sempre defendidas e aplicadas pelo setor do retalho e distribuição em Portugal: fomentar a inovação e a partilha de conhecimento, apostar na cooperação entre toda a cadeia de valor e reforçar a sensibilização de todos os seus parceiros e consumidores para a necessidade de alteração de comportamentos.

A APED e os seus associados sabem, portanto, que têm um papel relevante nas respostas às necessidades atuais no campo da alimentação. De tal forma que o empenho do setor nesta área já se traduz em iniciativas e ações a diversos níveis.

Manifesta-se na aposta da utilização da tecnologia e na investigação para melhor perceber a dinâmica da procura e os perfis de consumidor, cujos hábitos de alimentares tendem a sofrer grandes mutações.

Expressa-se na aplicação de estratégias de mercado assentes nos modelos de comércio de proximidade, na preferência pelos produtos e produtores locais e com forte promoção da Portugalidade.

Traduz-se no compromisso com a gestão eficaz de bens alimentares, desde a operação logística, ao armazenamento, ao rigoroso planeamento de compras, à comercialização e a planos de combate ao desperdício alimentar.

Espelha-se no reforço da qualidade e segurança alimentar, seja através do cumprimento das regras e normas definidas pela legislação vigente, seja pela aplicação de medidas voluntárias e pioneiras nesta matéria.

E traduz-se também na cooperação e estreita colaboração com os parceiros na cadeia de abastecimento, na participação em plataformas de diálogo entre os diferentes players, na integração em fóruns interprofissionais e no apoio a projetos, ações e iniciativas que promovam o debate, com o objetivo de melhorar processos e encontrar soluções para a sustentabilidade do setor alimentar.

O Food & Nutrition Awards é um excelente exemplo de tipo de iniciativas em que a APED participa, representando um setor inovador, dinâmico e pioneiro que está preparado e disponível para colaborar e contribuir ainda mais e de melhor forma para o desenvolvimento sólido do futuro da Alimentação.

Mónica Ventosa.

Fonte: Diário de Notícias